Descubra como as condenações no manejo pré-abate ainda desafiam a suinocultura industrial e suas consequências para o setor
Condenações decorrentes do manejo pré-abate ainda desafiam o setor na revista Suinocultura Industrial de Fevereiro

A suinocultura brasileira tem enfrentado perdas expressivas relacionadas ao manejo pré-abate, com mais de 23 mil toneladas de carne suína descartadas entre 2021 e 2024. O volume equivale a uma média anual de 5.811 toneladas, quantidade suficiente para alimentar cerca de 318 mil pessoas por ano, considerando o consumo médio nacional.
Os dados evidenciam um problema estrutural relevante para o agronegócio, com reflexos diretos na eficiência produtiva, na sustentabilidade e na competitividade da cadeia. As condenações totais de carcaças estão associadas principalmente à mortalidade durante o transporte, falhas no manejo pré-abate, estresse, fadiga e contaminações, fatores que resultam no descarte integral dos animais abatidos.
Reconhecida internacionalmente por sua produtividade, a suinocultura nacional — com apoio de instituições como a Embrapa — enfrenta o desafio de alinhar crescimento com padrões elevados de bem-estar animal e qualidade sanitária.
Leia também no Agrimídia:
- •Roberto Cano de Arruda é homenageado em Itu e reforça legado na suinocultura paulista
- •Diálogo entre setor público e privado impulsiona cadeias produtivas de suínos, aves e peixes em MS
- •Sanidade e Agropecuária: Reino Unido intensifica combate à importação ilegal de carne e reforça medidas de biossegurança
- •Tratores impulsionam produtividade e reforçam apoio ao agro no Espírito Santo
Avanços regulatórios não reduzem perdas de forma consistente
Nos últimos anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária implementou normas voltadas ao bem-estar animal, como as Portarias nº 365/2021 e nº 864/2023, que estabelecem diretrizes para transporte, manejo e abate humanitário de suínos.
Apesar disso, os indicadores de condenação não apresentaram queda consistente. Dados do sistema SIGSIF mostram que, em alguns casos, houve aumento dos índices, especialmente na mortalidade durante o transporte e nas baias de espera, que atingiram picos em 2024.
O cenário é agravado por fatores climáticos. O aumento das temperaturas, especialmente nos anos recentes, tem intensificado o estresse térmico nos animais. Em condições de calor elevado, os suínos apresentam dificuldade para dissipar calor corporal, podendo evoluir para quadros de hipertermia, colapso circulatório e morte.
Diferenças regionais e desafios logísticos ampliam impacto
A análise regional indica que os índices de condenação variam significativamente entre os estados do Sul do Brasil. Em Santa Catarina, por exemplo, foram observados maiores índices de mortalidade no transporte e no pré-abate, enquanto Paraná apresentou redução em alguns indicadores, como lesões traumáticas em 2024. Já o Rio Grande do Sul registrou oscilações mais acentuadas em diferentes parâmetros.
Essas variações refletem diferenças em infraestrutura, logística, nutrição e práticas de manejo adotadas pelas empresas e produtores. O aumento do peso médio de abate, impulsionado por ganhos genéticos e estratégias produtivas, também contribui para elevar os riscos no transporte e no manejo pré-abate.
Animais mais pesados demandam maior espaço, ajustes no transporte e cuidados adicionais para evitar quedas, fraturas e lesões. Além disso, apresentam maior produção de calor metabólico, tornando-se mais suscetíveis ao estresse térmico, especialmente em condições ambientais adversas.
Necessidade de integração entre tecnologia, manejo e capacitação
Especialistas apontam que a redução das perdas passa pela adoção de práticas mais eficientes ao longo de toda a cadeia. A capacitação contínua de equipes, melhorias na logística de transporte e adequação das instalações são consideradas fundamentais para minimizar o estresse dos animais.
O uso de tecnologias de monitoramento em tempo real, aliado à integração de dados e indicadores produtivos, pode contribuir para decisões mais rápidas e assertivas, reduzindo riscos e perdas no processo.
Além disso, a adequação das baias de espera nos frigoríficos, o planejamento de rotas e o controle da densidade de carga são medidas que podem melhorar significativamente o bem-estar animal e a qualidade final da carne.
Diante desse cenário, o setor de suinocultura brasileira enfrenta o desafio de transformar avanços regulatórios em resultados práticos, reduzindo desperdícios e fortalecendo sua posição no mercado interno e nas exportações.





















