Pesquisa dinamarquesa mostra que a ingestão de insetos contaminados é uma rota viável de infecção e amplia o alerta sobre falhas nos protocolos sanitários
Estudo aponta que moscas podem transmitir a Peste Suína Africana

A disseminação da Peste Suína Africana (PSA) em diferentes regiões do mundo segue desafiando cientistas e o setor produtivo, especialmente pela capacidade do vírus de ultrapassar barreiras sanitárias consideradas rigorosas. Um estudo conduzido pelo Instituto Nacional de Veterinária da Dinamarca (DTU) traz um novo elemento para esse cenário ao demonstrar que moscas podem atuar como vetor de transmissão da doença.
Publicado na revista científica Transboundary and Emerging Diseases, o trabalho investigou a participação da mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), comum em ambientes pecuários. Os pesquisadores alimentaram os insetos com sangue contaminado com o vírus da PSA, em níveis semelhantes aos encontrados em animais infectados no campo. Em seguida, leitões saudáveis foram expostos ao material por ingestão, tanto de moscas trituradas quanto inteiras misturadas à ração.
Os resultados indicaram que os animais que consumiram as moscas inteiras desenvolveram a doença e apresentaram os sintomas característicos da infecção. A constatação reforça que o vírus pode permanecer viável no inseto por tempo suficiente para infectar suínos por via oral.
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Embora o estudo descarte um papel relevante das moscas na transmissão a longas distâncias, já que esses insetos não costumam percorrer grandes trajetos entre propriedades, o risco dentro das granjas e em áreas próximas ganha importância. A interação com animais silvestres, como javalis infectados, pode facilitar a entrada do vírus no ambiente produtivo, onde a disseminação tende a ser rápida.
Biosseguridade
Os achados ampliam o foco da biosseguridade, tradicionalmente voltado ao controle de մարդկանց, veículos e insumos, e reforçam a necessidade de estratégias eficazes de manejo de pragas. Medidas como instalação de telas anti-insetos, controle rigoroso de dejetos e uso orientado de inseticidas passam a ser consideradas essenciais para reduzir vulnerabilidades.
A pesquisa dinamarquesa acrescenta um novo nível de complexidade ao controle da PSA e indica que, diante de um vírus de alto impacto econômico, até vetores considerados secundários podem ter papel relevante na dinâmica da doença.
Fonte: Artigo técnico de Olesen, A. S., et al., intitulado “Infection of pigs with African swine fever virus via ingestion of stable flies (Stomoxys calcitrans)”, publicado na revista Transboundary and Emerging Diseases























