Entidades alertam para crise no setor e cobram transparência e ampliação do uso de carne suína britânica
Produtores de suínos pressionam setor de food service no Reino Unido por maior apoio à produção local

Entidades representativas da suinocultura no Reino Unido intensificaram a pressão sobre o setor de serviços de alimentação para ampliar o apoio à produção local. A Associação Nacional de Suínos (NPA) e a NFU Scotland divulgaram um posicionamento conjunto no qual destacam o potencial de crescimento da cadeia e cobram medidas mais efetivas de valorização da carne suína britânica.
O movimento ocorre em meio a um cenário considerado crítico para os produtores, marcado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, além da persistência de preços baixos na União Europeia, que impactam diretamente o mercado interno britânico. A elevação dos custos de produção agrava a situação e tem levado produtores independentes a enfrentar dificuldades crescentes, incluindo o encerramento de contratos com indústrias processadoras.
Apesar do contexto desafiador, o apoio do varejo à carne suína nacional tem se mantido relativamente estável, com redes demonstrando interesse em ampliar a oferta de produtos britânicos. No entanto, o mesmo não ocorre no segmento de alimentação fora do lar, historicamente mais dependente de importações, principalmente por questões de preço.
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Dados do painel de compras da AHDB indicam que o volume de carne suína consumido no setor de food service recuou 3,5% no período de 12 meses encerrado em março, com impacto significativo da queda nas vendas de refeições para viagem. As informações disponíveis, porém, não permitem identificar com precisão a participação de produtos nacionais frente aos importados, o que reforça as críticas quanto à falta de transparência.
Apelo por mudanças e risco para a cadeia produtiva
Diante desse cenário, as entidades defendem uma série de ações coordenadas envolvendo empresas do setor, restaurantes, consumidores e o próprio governo. Entre as principais demandas estão o aumento das compras de carne suína britânica, maior clareza sobre a origem dos produtos e estímulo ao consumo consciente por parte da população.
A diretora executiva da NPA, Lizzie Wilson, afirmou que o setor enfrenta um momento extremamente difícil e que um compromisso mais firme por parte do food service poderia contribuir para restaurar a confiança dos produtores. Segundo ela, a falta de transparência sobre a origem da carne suína utilizada por empresas do segmento limita a capacidade de escolha dos consumidores.
A preocupação também é compartilhada pela NFU Scotland. O presidente da entidade, Andrew Connon, classificou a situação como uma crise sem precedentes, destacando que muitos produtores estão recebendo valores abaixo do custo de produção, acumulando prejuízos expressivos. Em alguns casos, as perdas podem ultrapassar mil libras por matriz, o que compromete a viabilidade econômica das propriedades.
As entidades alertam que, sem uma resposta coordenada, o setor pode enfrentar redução do plantel e saída de produtores da atividade, com impactos diretos sobre a segurança e a resiliência da cadeia de abastecimento. Para os representantes da suinocultura, o fortalecimento da demanda por carne suína britânica é essencial para garantir a continuidade da produção e a sustentabilidade do segmento no longo prazo.
Fonte: Pig World























