Após sustentação impulsionada pelo mercado de trabalho em 2026, consumo formal per capita deve recuar para 5,9 kg enquanto exportações ganham maior fatia da produção
Mercado
Datagro prevê queda no consumo de carne bovina no Brasil em 2027 diante de desaceleração econômica
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O consumo doméstico de carne bovina no Brasil enfrentará um cenário mais restritivo em 2027. Projeções apresentadas pela consultoria Datagro Pecuária, durante o 6º Fórum Pecuária Datagro, indicam que o consumo formal per capita no país deve recuar de aproximadamente 6,6 quilos para 5,9 quilos ao ano. A retracção reflete a perspectiva de menor crescimento da economia brasileira (PIB estimado em 1,5% pelo Boletim Focus) e a perda relativa do poder de compra das famílias.
Indicadores do Consumo de Proteínas e Mercado Bovino (2026 – 2027)
| Indicador de Mercado | Desempenho 2026 | Projeção / Cenário 2027 | Fator Determinante |
| Consumo Formal Per Capita | ~6,6 kg / hab / ano | 5,9 kg / hab / ano | Perda de fôlego do poder de compra e PIB em 1,5% |
| Consumo Total de Proteínas | ~93,3 kg / hab / ano (+3 kg em 2 anos) | Estabilidade com pressão na proteína bovina | Renda e mercado de trabalho aquecidos no ciclo anterior |
| Consumo Bovino Total | ~31,5 kg / hab / ano | Resiliência relativa na cesta alimentar | Forte preferência cultural do consumidor brasileiro |
| Fatia do Brasil no Mercado Global | Crescimento contínuo | 41,8% das exportações mundiais | Maior atratividade dos preços internacionais |
Destaques do Panorama Apresentado pela Datagro
- Sustentação temporária em 2026: Ao longo de 2026, medidas de estímulo e o mercado de trabalho aquecido mantiveram a demanda por carne bovina em patamares elevados, mesmo com o preço médio no varejo rondando R$ 23/kg — valor significativamente superior ao das carnes de frango e suína.
- Competição com o mercado externo: Em 2027, o mercado interno disputará a oferta com os compradores internacionais. A estimativa é de que o Brasil concentre 41,8% do comércio global de carne bovina, atratividade impulsionada por preços externos mais vantajosos que os pagos no ambiente doméstico.
- Risco de repasse de custos: Uma eventual valorização excessiva do boi gordo motivada pelas exportações pode elevar os preços no atacado e no varejo brasileiro, comprimindo ainda mais a demanda das famílias em um quadro de desaceleração econômica.
- Consumo geral de proteínas: O brasileiro expandiu seu consumo total de proteínas para 93,3 kg/hab/ano (alta de 3 kg em relação a dois anos atrás). No entanto, o orçamento destinado especificamente à carne bovina não cresceu na mesma proporção, mantendo o consumo total estabilizado em 31,5 kg/hab/ano.
Para João Otávio de Assis Figueiredo, analista da Datagro Pecuária, “hoje, no mundo, a gente tem uma condição que tende a pagar melhor pela nossa carne lá fora do que aqui dentro. A pecuária brasileira terá de equilibrar dois mercados: aproveitar os preços internacionais sem comprometer a competitividade e o acesso da carne no mercado doméstico.”
Fonte: CNN























