Embora o clima seja de cautela, crise financeira internacional não deve afetar duramente o agronegócio brasileiro, diz especialista. Assunto foi abordado na abertura do Simpósio sobre Manejo e Nutrição de Aves e Suínos, realizado pelo CBNA, hoje (22) em Campinas (SP).
Com as barbas de molho
Redação (22/10/2008) – Os efeitos da crise financeira internacional devem se manifestar de maneira branda no desempenho do setor agropecuário nacional. A principal conseqüência do momento turbulento vivido pela economia global será a retração da demanda por commodities agrícolas e carnes no mercado internacional. “A crise financeira que assola o mundo não deve afetar duramente o agronegócio brasileiro. As principais conseqüências – e uma delas já podemos sentir – será a queda nos preços internacionais das commodities agrícolas e a retração na demanda mundial por proteína animal”, avalia o médico veterinário Gabriel Jorge Neto. “Perto dos reflexos que outros setores da economia estão sofrendo e, creio, ainda irão sofrer, os impactos para o setor agropecuário serão infinitamente menores. Nosso cenário [o do agronegócio] é muito melhor e tem uma perspectiva de risco bem mais moderada do que para outros setores da economia, que têm prognóstico tenebroso para os próximos seis meses, sobretudo depois das eleições nos EUA”, completa.
Jorge Neto foi o responsável pela abertura do Simpósio sobre Manejo e Nutrição de Aves e Suínos, realizado pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), realizada na manhã desta quarta-feira (22/10), em Campinas (SP). O evento segue até sexta-feira.
Segundo o especialista, motivados pelas incertezas sobre as respostas da economia à crise atual, os preços do milho, da soja e do trigo vêm caindo. “Nas últimas semanas os preços dessas três commodities recuaram aos patamares de 2007”, comenta.
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Embora afirme que o clima é de cautela, Gabriel Jorge acredita que o consumo de alimentos, sobretudo de carnes, não deve ser fortemente afetado pela crise financeira. “É certo que haverá uma retração na demanda mundial de alimentos, fato que pode trazer implicações para o Brasil, que é um grande player desse mercado”, diz. “Mas acredito que essa redução de demanda, sobretudo de produtos cárneos, será parcialmente compensada pelas compras dos países em desenvolvimento”.
Valorização do dólar – Jorge Neto também falou sobre os impactos que a crise pode gerar para o setor de alimentação animal. De acordo com ele, além do risco do recuo da produção de proteína animal no Brasil em 2009 – que significaria queda no consumo de rações – a valorização do dólar frente ao real é o principal motivo de preocupação para a indústria de alimentação animal.
Como se sabe o setor de alimentação animal é grande importador de aditivos. Em 2007 o setor importou mais de US$ 800 milhões em vitaminas, aminoácidos e outros aditivos. De acordo com dados do Sindirações, em 2008, a importação de aditivos deve movimentar US$ 1,2 bilhão, para uma produção estimada de 59 milhões de toneladas de rações balanceadas para animais, mais dois milhões de toneladas de suplementos minerais para pecuária de corte. A volatilidade da moeda americana, portanto, é motivo de grande atenção para o setor de alimentação animal neste e no próximo ano.
“Acredito que se o dólar se valorizar muito, fatalmente o setor [de alimentação animal] terá de repassar esse aumento para o consumidor, o que nunca é bom”, pondera Gabriel Neto. “Entretanto, o setor já lidou com essa situação [valorização do dólar] em outras ocasiões, e embora o dólar venha oscilando bastante nas últimas semanas, acredito que a moeda americana vai se estabilizar entre R$1,90 e R$2,00, cotação que vigorava há um ano. Portanto, acredito que a atual situação do cambio não vai trazer reflexos muito ruins para nosso setor em 2009”, minimiza Gabriel Neto.





















