Principais economias do mundo agendam para a semana que vem o reinício do processo de negociação.
Pacote final de Doha deve ficar para 2009, afirma OMC
Redação (12/09/2008)- O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, anuncia que as principais economia do mundo estão dispostas a tentar dar mais uma chance para salvar a Rodada Doha e acredita que um acordo parcial ainda pode ser fechado neste ano. O pacote final ficaria para 2009. Depois do fracasso da negociação em julho, os principais países retomaram o debate nesta semana em Genebra e agendaram para a próxima quarta-feira o reinício do processo.
Em Genebra, os diplomatas de Brasil, Estados Unidos, China, Índia, Europa, Austrália e Japão se reuniram pela primeira vez depois do fracasso da Rodada em julho. "Novas idéias de como solucionar o impasse envolvendo os mecanismos de salvaguardas (para países em desenvolvimento) foram colocadas sobre a mesa. Ninguém as rejeitou completamente e algumas podem de fato levar a um entendimento se forem trabalhadas", afirmou o embaixador Roberto Azevedo, que representou o Brasil no encontro.
Em julho, o principal problema acabou sendo a insistência dos países emergentes importadores de alimentos de poder impor barreiras todas as vezes que julgarem que a entrada de produtos agrícolas está sendo excessiva e com o potencial de afetar diretamente os produtores locais. Na época, os americanos rejeitaram a posição adotada pela Índia, considerada como intransigente. Para Nova Délhi, sem as salvaguardas seria impossível aceitar um acordo.
Leia também no Agrimídia:
- •Mato Grosso do Sul abre consulta pública para controle de Salmonella em aviários comerciais
- •APCS completa 59 anos fortalecendo a suinocultura paulista e ampliando mercados para a carne suína brasileira
- •Mercado de carne suína na Rússia enfrenta queda de preços diante do aumento das importações
- •Influenza Aviária avança na Ásia com novos focos na Coreia do Sul, Japão e Índia
O Brasil tem interesses exportadores no setor agrícola e não gostaria de ver novas barreiras nos mercados emergentes como Índia e China. Mas aceita que algum mecanismo seja criado. Já os americanos alegam que as salvaguardas seriam apenas um último recurso e que os critérios para sua aplicação devam ser altos. O que Washington quer é garantir acesso a mercados.
"Meu sentimento é de que há espaço para um novo compromisso nas próximas semanas, como foi confirmado nas reuniões técnicas nos últimos dias", afirmou Lamy. "Alguns dos principais atores me disseram que estão dispostos a fazer mais uma tentativa", disse. "Espero que possamos fechar um entendimento sobre as modalidades de um acordo ainda em 2008", afirmou.
Já os mais céticos acusam os Estados Unidos de estarem apenas evitando passar para o próximo tema da agenda nas negociações, que seria a eliminação dos subsídios para o setor do algodão. Em plenas eleições presidenciais, os americanos não querem fazer qualquer concessão nesse sentido, perdendo o apoio do setor rural.
Agora, Azevedo conta que tanto os americanos como os indianos aceitaram debater novas propostas. A idéia é de que os indianos sejam autorizados a impor salvaguardas. Mas que critérios e condições específicas sejam criadas. "Novas idéias estão na mesa e isso é positivo. Algumas que foram trazidas acabaram sendo descartadas. Mas outras sobreviveram", afirmou Azevedo.
Segundo ele, cada governo agora irá levar para casa as propostas e estudá-las. "Vamos testar os números e fazer consultas. Os demais países farão o mesmo", disse. O plano dos negociadores é de retornar a Genebra na próxima quarta-feira. "O que decidimos é voltar com as análises feitas e ficar negociando até solucionar o impasse", afirmou Azevedo. Segundo ele, uma das idéias seria de manter as negociações pelo menos até o domingo.
Mas com as eleições nos Estados Unidos, mudanças na Comissão Européia e uma posição intransigente da Índia, poucos acreditam que a reunião gere um avanço real.





















