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Bioinsumo

Bioinsumo à base de microalgas pode reduzir dependência de fertilizantes agrícolas

Entenda como o bioinsumo à base de microalgas oferece uma alternativa à dependência de fertilizantes agrícolas convencionais

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Bioinsumo à base de microalgas pode reduzir dependência de fertilizantes agrícolas

Um projeto desenvolvido pela startup paulista BiotecBlue, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aposta no uso de efluentes tratados de cervejarias e da aquicultura de tilápia e camarão para o cultivo controlado de microalgas. A biomassa gerada é utilizada na formulação de um bioestimulante agrícola, capaz de reduzir a dependência de fertilizantes químicos convencionais. O projeto conta com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Resíduos da produção de cerveja artesanal e da criação de peixes e camarões são ricos em nitrogênio, fósforo e carbono. Quando descartados de forma inadequada, podem causar eutrofização de rios e desequilíbrios ambientais. No entanto, quando utilizados de forma controlada, tornam-se um meio nutritivo eficiente para o cultivo de microalgas, que passam a integrar a cadeia produtiva como bioinsumos agrícolas.

Segundo a engenheira química Danielle Maass, da Unifesp, as microalgas cultivadas nesses resíduos apresentaram concentrações nutricionais superiores às obtidas em meios sintéticos. Além disso, a água residual após o cultivo retorna ao ambiente com baixa carga de nutrientes, reduzindo impactos ambientais. Após a interrupção do fornecimento de resíduos da piscicultura, o projeto encontrou nas cervejarias artesanais uma alternativa mais estável e logisticamente viável, com resultados equivalentes.

Outro diferencial é o uso de resíduos reais, e não simulados em laboratório. Isso garante maior aderência às condições industriais e agrícolas. As microalgas produzidas são ricas em proteínas e betacaroteno, podendo inclusive ser reaproveitadas como complemento alimentar na aquicultura, além de atuarem como bioestimulantes no campo.

Desde 2024, o projeto está em fase de escalonamento, com testes em uma planta piloto de 100 litros. Ensaios em lavouras de milho, banana, hortaliças e café, em São Paulo e Minas Gerais, já indicam melhora no desenvolvimento foliar e na saúde do solo.

Do ponto de vista econômico, o bioinsumo mostra-se competitivo. O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes que consome, com gastos anuais em torno de US$ 25 bilhões. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, esses insumos podem representar até metade dos custos de produção em culturas como milho e soja. Ao transformar resíduos em matéria-prima, o projeto se alinha ao Plano Nacional de Fertilizantes, que prevê reduzir a dependência externa em 50% até 2050, além de abrir espaço para créditos de carbono por meio da fixação de CO₂ durante o crescimento das microalgas.

Referência: UNIFESP

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