Microrganismos patógenos trocam entre si os genes da resistência
Reduzir o uso de antibióticos não é suficiente para conter superbactérias

Uma das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a crescente ameaça das superbactérias é reduzir a prescrição de antibióticos. A ideia é que, com menos remédios, a resistência dos microrganismos seja revertida, mas um novo estudo mostra que tal medida é insuficiente, ao menos para algumas cepas capazes de trocar material genético por um processo conhecido como conjugação.
As superbactérias surgem quando uma bactéria é capaz de sobreviver ao antibiótico aplicado. Sem concorrência de outras, mortas pelo medicamento, ela espalha rapidamente a resistência a seus descendentes, num processo de seleção natural.
Entretanto, essas mutações normalmente apresentam um custo, como uma maior dificuldade de reprodução seria de que essa bactéria mutante desaparecesse com o tempo.
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Mas, quando os genes responsáveis pela resistência podem ser passados entre células, a equação fica mais complicada.
Um experimento realizado por pesquisadores da Universidade Duke, nos EUA, mostrou que bactérias capazes de se conjugar trocam genes em velocidade suficiente para manter a resistência.
“Os resultados vieram como uma surpresa para mim quando vi os dados” comentou Lingchong You, professor associado em Duke e coautor da pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista ‘Nature Communications’. “Para todas as bactérias que testamos, a taxa de conjugação foi suficientemente rápida para que, mesmo sem o uso de antibióticos, a resistência fosse mantida. Mesmo em genes que carregavam custos altos”.
O doutorando Allison Lopatkin, autor principal da pesquisa, mediu a taxa de conjugação e a resistência a antibióticos em patógenos por mais de um mês. Os testes foram realizados com nove espécies de bactérias capazes de se conjugar, e os resultados mostraram que os micro-organismos espalham o gene da resistência, mesmo sem o antibiótico.
“Cada cepa que testamos manteve sua resistência pela conjugação, mesmo sem a pressão seletiva dos antibióticos” apontou Lopatkin.
Entretanto, os cientistas também descobriram formas para interromper esse processo e reverter à resistência aos medicamentos. E essas armas já existem, e devem existir muitas outras a serem descobertas.
“Nós realizamos o mesmo experimento com uma droga que é conhecida por inibir a conjugação e outra, que encoraja a perda de resistência dos genes” explicou Lopatkin. “Nós descobrimos que sem a presença dos antibióticos, nós podemos reverter à resistência de quatro dos patógenos que testamos e impedir que ela se espalhe”.
A equipe apresentou pedidos de patente para o uso da combinação para reverter à resistência a antibióticos. Uma das drogas é um produto natural e a segunda é um antipsicótico já aprovado pela FDA.
“Como próximo passo, nós estamos interessados em identificar outros químicos que possam cumprir essas funções de forma mais eficiente”, disse You.
























