Somente numa lavoura de soja em Coronel Isleno houve quebra de 2 milhões de toneladas no país.
Até agora, seca na Argentina afeta mais soja do que milho
A indústria de soja da Argentina já projeta redução da ordem de 2 milhões de toneladas na produção do grão do país nesta safra (2011/12) em relação à colheita passada, em função da seca que atinge há semanas alguns dos principais polos locais. Na cadeia do milho, há mais otimismo e permanece a aposta em um ligeiro crescimento da produção neste ano, ainda que o mercado internacional também acredite em quebra nessa frente.
“O panorama inicial de se chegar a uma safra de 52 milhões de toneladas tornou-se utópico, impossível. É mais razoável se pensar em 48 milhões de toneladas”, afirmou o presidente da Associação da Cadeia da Soja Argentina (ACSoja), Miguel Calvo. No ciclo passado, lembra Calvo, a produção foi de 50 milhões de toneladas de grão. Há alguns meses, a previsão era de colheita 5% maior em 2011/12.
“É razoável se pensar em uma queda da colheita porque o plantio está atrasado em função da seca. Estamos com 84% da área plantada. Ainda há um espaço para continuar o plantio, mas haverá perdas de pelo menos 10% na produtividade do plantio mais antigo”, disse Calvo. Houve chuvas nas regiões produtoras nos últimos dias, com precipitações entre 6 e 15 milímetros, mas o volume ainda é insuficiente para sanar possíveis perdas.
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No caso do milho, as previsões mais otimistas eram de um crescimento na produção de 23 milhões para 27 milhões de toneladas. Como há uma possibilidade de se estender o plantio por mais um mês e havia uma projeção de grande expansão na área plantada, ainda é difícil dimensionar eventuais perdas. “Atingir 27 milhões não é inalcançável, mas é mais razoável pensar em uma expansão de 10% em relação ao ciclo passado”, comentou o diretor da Associação do Milho e do Sorgo Argentino (Maizar), Martín Fraguío.
De acordo com Fraguío, já foram semeados 4 milhões de hectares, área quase equivalente aos 4,2 milhões de hectares da safra passada, e ainda falta semear 1 milhão de hectares. Tanto Fraguío quanto Calvo lembraram que o cenário desta safra não é muito diferente do observado no ciclo passado, quando janeiro começou com um quadro prolongado de estiagem. O ritmo de chuvas ao longo do ano, contudo, fez com que não houvesse perdas na produção. “Tudo dependerá do ritmo de precipitação nos próximos dez dias”, afirmou Calvo.
Hoje, os produtores de grãos do país devem ter uma reunião para discutir a seca com o ministro da Agricultura, Norberto Yauhar. Os produtores aproveitam a situação de seca para pedir a revisão do imposto sobre as exportações, conhecido no país como retenções. As exportações de soja são taxadas atualmente em 35%. Em entrevistas recentes, porém, o ministro argentino já colocou em dúvida a gravidade da seca atual.
A Argentina é o terceiro maior exportador de soja em grão do mundo, depois de EUA e Brasil, e as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) respondem por cerca de 40% do total vendido pelo país ao exterior.





















