Oferta deve seguir apertada até que as chuvas nas regiões de pastagem aumentem o rebanho disponível para abate.
Preço do boi gordo tem forte elevação
O preço do boi gordo registrou ontem sua sétima alta consecutiva no mercado físico, tomando-se São Paulo como referência. De acordo com levantamento da Scot Consultoria, a arroba acumulou valorização de 5,5% no período – a maior escalada desde outubro de 2010 -, e foi negociada ontem a R$ 104,50. A cotação já é a mais alta desde abril, ainda segundo a Scot.
Marco Túlio Habib Silva, analista da Scot, explica que a pressão sobre os preços reflete a acentuada escassez de oferta frente a uma demanda aquecida. “Os frigoríficos estão operando com uma escala de apenas dois a três dias e enfrentam enorme dificuldade para encontrar animais”, afirma.
O cenário é típico de um período de entressafra, com uma prolongada estiagem sobre as pastagens, mas foi agravado pelo fraco desempenho dos confinamentos, que geralmente oferecem um refresco aos compradores. “A segunda rodada de confinamento foi muito ruim, praticamente inexistente”, afirma Silva.
Leia também no Agrimídia:
- •Carne suína registra menor preço desde abril de 2024 e ganha competitividade frente a frango e boi
- •Parceria público-privada garante investimentos e modernização da estação quarentenária de suínos até 2030
- •Investimento de R$ 375 milhões no Paraná reforça produção de aves e suínos e amplia integração no campo
- •Casos de Influenza Aviária na Argentina e no Uruguai ampliam alerta sanitário no Brasil
A forte alta do milho, usado como ração, tirou a atratividade da operação. Segundo o analista, pecuaristas que compraram milho no início da safra, entre fevereiro e março, a preços que oscilavam entre R$ 26 e R$ 28 a saca, tiveram a oportunidade de vender o mesmo grão a R$ 32 no último mês. “Estamos falando de um ganho de até 23% em apenas oito meses, sem trabalho, o que tornou o confinamento um risco desnecessário”, explica.
O analista da Scot acredita que os preços devem se manter pressionados nos próximos dias, uma vez que os frigoríficos tentam se cobrir para o feriado da semana que vem. Em novembro do ano passado, cabe lembrar, as cotações da arroba ultrapassaram a marca de R$ 116 na segunda semana do mês.
A oferta deve seguir apertada até que as chuvas sobre as regiões de pastagem façam aumentar o rebanho disponível para abate. “As chuvas começaram, o pasto está começando a ficar verde, mas o gado ainda não recuperou o peso perdido durante o período da estiagem, que foi mais ou menos longo”, pondera Silva.
O analista acredita que o mercado tende a se manter firme também no médio prazo, sustentado pela forte demanda interna e de exportação. “A era da arroba a R$ 80 acabou e não vejo condições para um retorno”, sentencia Silva. Ele pondera que, apesar da forte alta observada ao longo da década, o preço do boi gordo se mantém praticamente estável em relação aos níveis do Plano Real, quando descontada a inflação do período.





















