Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↑ R$ 64,85 / kg
Soja - Indicador PR ↑ R$ 148,77 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↓ R$ 154,61 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 10,05 / kg
Suíno - Estadual SP ↑ R$ 6,77 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,95 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 5,91 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,83 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,81 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 135,85 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↓ R$ 137,45 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 148,71 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 152,18 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↓ R$ 127,37 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↓ R$ 139,67 / cx
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,49 / kg
Frango - Indicador SP ↑ R$ 8,51 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↓ R$ 1.571,18 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↑ R$ 1.482,72 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 151,87 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↓ R$ 130,71 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↓ R$ 138,94 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 148,92 / cx
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Criação

Porco light ibérico

Resistente, prolífico, fácil de criar, até porque aceita viver em pequenos espaços e come de tudo, fornece uma carne deliciosa.

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Porco light ibérico

Ele descende do javali europeu e foi domesticado em torno do ano 10000 a.C. Resistente, prolífico, fácil de criar, até porque aceita viver em pequenos espaços e come de tudo, fornece uma carne deliciosa. Entretanto, ela nunca se livrou da fama desabonadora. Dizem conter alta porcentagem de gordura, calorias, colesterol e transmitir doenças. Nos últimos 30 anos, porém, graças à seleção genética a que submeteram suas raças mais valorizadas e à prática de confiná-lo em ambientes higienizados, onde o alimentam com ração especial, o porco começou a oferecer uma carne mais saudável. Já tem aproximadamente 30% menos de gordura, perdeu cerca de 15% das calorias e 10% do colesterol, além de nos proporcionar, como sempre, proteínas, minerais e vitaminas.

Entretanto, há um suíno criado à antiga que o supera em virtudes dietéticas e gastronômicas. É o porco ibérico ou porco preto, apesar de esta última designação ser arbitrária, pois a raça comporta subdivisões em função das características físicas, da cor do pelo etc. Autóctone do oeste e sudoeste da península ibérica, vive nos campos arborizados de tipo mediterrâneo repletos de bellota (nome espanhol) ou bolota (em português), frutos da azinheira e do sobreiro, a árvore que fornece a cortiça. Esse alimento prodigioso confere à carne do porco um sabor especial e a torna mais requisitada. Na Espanha, o porco preto se espalha pelo sudoeste de Castela e Leão, a Extremadura (50% do rebanho) e o norte e sudoeste da Andaluzia. Em Portugal, habita o Alentejo e o Algarve.

Quando cevado apenas com bolota – e isso acontece principalmente em Portugal, ou seja, no Alentejo, onde esse fruto existe à vontade -, diz-se que o porco preto “vira light”. Estudos científicos mostraram que, graças a esse alimento, mais de 54% da gordura suína se torna monoinsaturada, ou seja, oleica, irmã do azeite. A bolota ainda fornece o tocoferol, uma vitamina lipossolúvel da família da vitamina E, que melhora a circulação sanguínea e regenera tecidos; e a quercitina, um flavonoide natural com propriedade anti-inflamatória, anti-histamínica (antialérgica), antiviral e anticarcinogênica (por atuar no sistema imunológico).

A engorda do porco preto dura 18 meses, concentrando-se entre o final de outubro e fins de fevereiro, quando alcança entre 90 e 140 quilos de peso. Primeiro, o animal se farta com as bolotas da azinheira, que transmitem doçura à carne; depois, ataca as do sobreiro, mais adstringentes e taninosas. Cada suíno ingere diariamente de sete a oito quilos e ganha um quilo de peso por dia. Além disso, come de dois a três quilos de ervas e restos de lavouras. O fato de andar livremente também é importante. Faz com que acumule gordura subcutânea, intra e intermuscular, o que torna a sua carne mais tenra e deliciosa, com uma coloração diferenciada: vai do rosa-pálido ao rosa-escuro.

É claro que, apesar de mais saudável, a carne conserva inconvenientes. Contém toxinas e um dos ácidos graxos saturados mais frequentes: o palmítico. Mesmo assim, a carne do porco preto ainda oferece vantagem em relação à do comum. Tem cerca de 19% de ácido palmítico, para os aproximadamente 24% do outro. O preconceito está no fim? Dificilmente, até porque antigas culturas o sustentam. Judeus e islamitas abominam a carne de porco, sob fundamentos semelhantes. O veto hebraico vem do Levítico (11.7), um dos cinco livros do Pentateuco, com autoria atribuída a Moisés que considera o suíno um animal impuro “porque tem a unha fendida, mas não rumina”. O Alcorão (5ª.3) sentencia aos adeptos do islamismo: “Estão-vos vedados: o morticínio; o sangue, a carne de suíno (…)”. Nenhuma interdição foi mais drástica, porém, do que a lançada no final do século passado pelo califa Hazrat Mirza Tahir Ahmad (1928-2003), líder da comunidade muçulmana Ahmadiyya, da Índia. Segundo ele, o homem que come carne de porco vira gay.

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