Câmbio já não é mais uma tábua da salvação e exportadores terão de se acostumar com o atual patamar da relação entre o real e o dólar.
Acostume-se ao câmbio

Os exportadores que reclamam do câmbio terão de se acostumar com o atual patamar da relação entre o real e o dólar por um bom tempo, alerta Fabio Silveira, economista da RC Consultores.
Diante dos movimentos derivados do aprofundamento da crise financeira irradiada dos EUA, em setembro de 2008, ele não acredita que haverá mudanças substanciais no câmbio pelo menos até 2011, e isso mesmo com a recuperação da economia global.
Foi a forte desvalorização do real no início de 1999 que possibilitou o expressivo crescimento das exportações brasileiras do agronegócio desde então. A guinada foi tão forte que o câmbio passou a compensar gargalos históricos como o logístico.
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“Agora, é preciso mexer em questões como a elevada carga tributária, encargos trabalhistas e juros. O agronegócio é estratégico, daí os subsídios nos EUA, na Europa e na China, entre outros países. Não podemos nos esquecer que as exportações tornaram o setor o primeiro e mais importante gerador de reservas para o Brasil”, afirma Silveira.
Mas talvez o problema cambial tenha efeitos menos deletérios no futuro próximo do que no passado recente, dadas as perspectivas de crescimento da economia do País e, consequentemente, do provável aquecimento da demanda doméstica.
“A demanda externa permanecerá travada pelo menos até a metade da década, e o mercado interno será a grande alavanca para produtos agrícolas em geral”, diz o economista/consultor.
A importância do mercado doméstico já foi reconhecida pelos principais atores do setor no complicado ano passado. Empresas de grãos como Cargill, Bunge, Caramuru e Granol louvaram o crescimento do consumo brasileiro e seus efeitos nos resultados. E frigoríficos como JBS e Marfrig tiveram nas vendas no País um peso muito maior, em um ambiente de forte queda dos preços de exportação.
Para Silveira, outros problemas específicos também terão de ser solucionados para garantir a competitividade do agronegócio. No milho, diz, falta uma política condizente para reduzir custos e elevar a produtividade. Na soja, onde a concorrência internacional é menor, é preciso manter os investimentos em pesquisa que catapultaram a produção nacional nas últimas décadas.
Tecnologia e novas técnicas de manejo também serão necessárias para cana, café e laranja, por exemplo. E nas carnes, a estrutura tributária deve ser mais simples e o transporte, mais barato




















