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A nova classe média do Brasil

Bolívar Lamounier fez uma análise da classe média emergente no Brasil. Para ele, País precisa criar as bases para dar continuidade a esse processo de mobilidade social.

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A nova classe média do Brasil

A nova classe média do BrasilA estabilidade da economia brasileira colocou em marcha um enorme processo de mobilidade social no País. Nos últimos sete anos, cerca de 35 milhões de brasileiros deslocaram-se da base para o miolo da pirâmide social e outros 20 milhões saíram da linha da pobreza. Hoje a Classe C, que é como os sociólogos chamam o grupo de pessoas que acaba de sair da pobreza, representa mais da metade da população do País. 

Essa evolução social fez explodir o potencial de consumo no País. É inédito o número de famílias brasileiras com acesso ao consumo de bens e serviços no Brasil. Não são poucos os economistas que acreditam que essa classe média emergente será o grande motor da expansão da economia brasileira nos próximos anos.

Para o sociólogo e cientista social Bolívar Lamounier, a grande questão não é se o surgimento dessa nova classe média dará sustentação ao crescimento da economia do País, mas sim se esse processo de mobilidade social é sustentável ao longo do tempo. “Sem dúvida, que essa nova classe média pode ser um importante motor para o crescimento da economia brasileira. Basta lembrar que estamos falando de cerca de 40% da população, um conjunto social enorme e com aspirações crescentes”, afirma. “O ponto central é se esse processo é sustentável ao longo do tempo. A sustentabilidade depende do crescimento econômico, isto é óbvio, mas depende também de uma grande variedade de processos microssociais que favoreçam a educação de boa qualidade, o empreendedorismo, a formação de redes sociais e, no limite, até atitudes políticas mais modernas. Precisamos ter cuidado para não cantar vitória antes do tempo”, afirma. 

Lamounier explica que a mobilidade desencadeada nos anos 1990 deveu-se, fundamentalmente, à estabilização da economia, à expansão do crediário e ao aumento da renda e do emprego, estimulado pelo crescimento da economia mundial. Mas, segundo o sociólogo, a economia brasileira ainda não está preparada para crescer de maneira sustentada por um período longo. “Basta ver a infraestrutura. Estradas, portos e aeroportos estão no limite da utilização. Com o crescimento ora em curso, estamos vendo faltar até mão de obra especializada”, argumenta.

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