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Copa do Mundo 2026 deve elevar forte demanda por proteínas no Brasil

Pesquisa e projeções indicam que a Copa de 2026 deve elevar em mais de 10% a demanda por proteínas durante os jogos da seleção, com impacto em vendas, logística e marketing do setor alimentício

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Copa do Mundo 2026 deve elevar forte demanda por proteínas no Brasil

A Copa do Mundo de 2026 deve estimular de forma significativa a procura por proteínas no Brasil, segundo levantamento da Scanntech. A expectativa aponta que o fluxo médio registre incremento superior a 10% na demanda por carnes nos dias de jogos da seleção brasileira.

Para Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS (Associação Paulista de Supermercados), o período da Copa figura entre os momentos mais estratégicos para o varejo alimentar no país. “Os grandes eventos esportivos influenciam diretamente o comportamento de compra do consumidor brasileiro. Existe aumento relevante nas confraternizações e isso se reflete em maior demanda por proteínas, principalmente carne bovina, além de itens ligados ao churrasco e alimentos práticos para consumo em grupo”, afirma. Queiroz acrescenta que o setor supermercadista já prepara operações com reforço logístico, aumento de estoque e negociações antecipadas com a indústria para evitar rupturas durante a competição.

O estudo da Scanntech sobre a Copa de 2022 mostra que o aumento no fluxo de consumidores chegou a 8,3% acima da linha de base no D-1, o dia anterior às partidas; em cenários com forte apelo cultural, como sextas-feiras antes de jogos aos sábados, o crescimento alcançou 18,8%. Dados da Kantar indicam que, em 2022, o evento gerou R$ 550 milhões adicionais em consumo, com cerca de R$ 70 milhões apenas na cesta da marca Seara. Mais da metade das categorias da marca registrou avanço no período.

Durante coletiva na APAS Show, a associação projetou que a categoria churrasqueira lidera o crescimento, com avanço de 227% nos dias de jogos. Entre os produtos mais procurados apareceram espetinho bovino (alta de 67%), frango inteiro (60%), maminha bovina (53%), salame (43%), tábua de frios (41%) e picanha (29%). O levantamento aponta que o dia do jogo registra alta moderada de 1,7% no fluxo das lojas, enquanto o dia seguinte mantém o ritmo com crescimento de 5,5%; no consolidado entre véspera, dia do jogo e pós-jogo, o avanço médio chega a 5,6%.

Segundo a Kantar WorldPanel, cerca de 35 milhões de brasileiros fazem churrasco semanalmente, o que levou o país a alcançar a marca de 1 bilhão de churrascos em 2025. A pesquisa também destaca o protagonismo da carne bovina, única proteína em 4 de cada 10 churrascos, e indica que 86% dos brasileiros associam futebol ao churrasco, reforçando o vínculo cultural que impulsiona o consumo de carnes durante a Copa. Apenas a categoria de linguiças registrou incremento superior a R$ 31 milhões na última edição, acima da sazonalidade habitual.

A APAS ressalta que o consumidor busca cada vez mais produtos ligados à saudabilidade e praticidade, favorecendo categorias como alimentos ricos em proteínas, itens zero açúcar, zero álcool, snacks e produtos preparados para air fryer. Esse movimento amplia a presença das proteínas não só no churrasco tradicional, mas também em refeições rápidas durante os jogos.

Queiroz lembra que a demanda por proteínas para churrasco dependerá do desempenho da Seleção Brasileira: se o Brasil for eliminado na fase de grupos, o crescimento do varejo deve ficar em 3,6%; avançando até as quartas de final, a expansão pode variar entre 4,3% e 5,5%; em cenário de semifinal e final, o aumento pode atingir entre 6,2% e 8,6%, impulsionado por celebrações e encontros.

Na indústria, estratégias de marketing já avançam para aproveitar o movimento. A Maturatta, linha voltada ao churrasco da Friboi, lançou campanha com Ronaldinho Gaúcho para reforçar a conexão entre futebol e churrasco. Daniela Perez, gerente de Marketing da Friboi, afirma que a marca aposta em plano 360° para garantir abastecimento e ambientação do varejo e assim absorver a alta de dois dígitos na demanda. A Seara, por sua vez, investe em linha para churrasco e campanhas com Galvão Bueno e Arnaldo Cezar Coelho, projetando crescimento de 40% nas vendas durante o torneio, com foco em produtos práticos e itens para grelha.

Rafael Palmer, diretor de Marketing de Alimentos Preparados da Seara, explica que a estratégia visa o “primeiro tempo do churrasco”, priorizando entradas, linguiças e cortes para grelha, para ampliar o consumo desde os momentos que antecedem as partidas.

Fonte: CNN Brasil/APAS

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