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ALL prevê ano “duro” para setor agrícola brasileiro

O motivo do pessimismo dos executivos em relação ao mercado são as quebras de produção ocorridas na região Sul. É esperada queda de 5% na safra agrícola deste ano.

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A América Latina Logística (ALL) está esperando piora no cenário da agricultura neste ano. O motivo do pessimismo dos executivos em relação ao mercado, que é responsável por cerca de 70% do faturamento da empresa, são as quebras de produção ocorridas na região Sul. É esperada queda de 5% na safra agrícola deste ano.

Para Rodrigo Campos, diretor financeiro e de relações com investidores da ALL, há previsões positivas sobre a produção do Mato Grosso, embora os números do Estado não compensem as quedas previstas. “Esperamos um ano duro no setor agrícola”, disse Campos em reunião promovida pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais ocorrida ontem (13) em São Paulo. No entanto, diz ele, não necessariamente a empresa perderá receitas devido à queda da produção. “Queremos crescer ganhando participação de mercado”, resume.

Ainda sobre o mercado agrícola, Campos respondeu questionamentos sobre a possível entrada da Cosan no bloco de controle da ALL – que continua gerando dúvidas no mercado. Há menos de um mês, a Cosan anunciou oferta por 49% do bloco de controle da ALL. A produtora de açúcar e etanol é cliente da ALL para transporte de cargas e, segundo o executivo, a alteração societária não poderá gerar conflitos de interesses entre as duas companhias. “A Cosan não vai participar de decisões que envolvam esses clientes [ Rumo e Raízen, que têm participação da Cosan]”.

“Não é uma tentação da ALL [a entrada da Cosan]. É, sim, dos acionistas. Do nosso ponto de vista [da ALL], não vejo alterações expressivas”. Apesar disso, ele reforçou o discurso de executivos da ALL ao afirmar que a entrada da Cosan é positiva – desta vez, acrescentando um novo argumento. “A Cosan tem um bom relacionamento regulatório com o governo.”

A ALL se disse otimista em outros mercados além do agrícola. Está sendo observada no setor industrial, diz Campos, uma retomada da atividade econômica – ao contrário do ano passado, diz, quando era notada a desaceleração. No fim do ano, deve colaborar para os resultados da ALL nesse setor a entrada em operação dos serviços contratados pela Eldorado para a fábrica de celulose em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. O contrato para o transporte de cargas para a unidade, assinado no ano passado, representará 7% do mercado industrial da ALL.

Os desembolsos da companhia começam a diminuir a partir de 2013, principalmente devido ao fim dos investimentos do projeto de Rondonópolis (extensão ferroviária que inclui um terminal de cargas na cidade de Mato Grosso) – que, só neste ano, exigirá investimentos de R$ 150 milhões.

A previsão é que o fim dos investimentos, somado ao maior caixa, diminua a alavancagem no começo de 2013. Além disso, os investimentos no projeto da Vetria Mineração (empresa em parceria com Vetorial e Triunfo Participações e Investimentos anunciada no fim do ano passado), diz Campos, só começarão daqui a um ano e meio. Por enquanto, a empresa está buscando certificação de empresas internacionais para suas minas em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e apresentando o projeto a investidores.

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