Hoje o setor se depara com valorização da terra e forte elevação dos custos de mão de obra e de aplicação de novas tecnologias.
Arroba do boi alto abre espaço para outras proteínas

O preço da arroba do boi está bom, mas a rentabilidade do setor não passa de 1,9% ao ano. Isso ocorre porque o setor enfrenta uma realidade bem diferente da de há alguns anos, quando o diferencial brasileiro eram a disponibilidade de terra barata e os custos baixos na produção.
Hoje o setor se depara com valorização da terra e forte elevação dos custos de mão de obra e de aplicação de novas tecnologias.
A saída são ganhos de produtividade, inovação na produção e incorporação de atividades como integração pecuária-lavoura-floresta.
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Mas tudo isso exige investimento, e a baixa taxa de retorno deixa o pecuarista sem fôlego para a aplicação de mais capital no setor.
Sem investimentos, não há ganho de produtividade e melhora na produção. A tendência é o setor fica menor e a carne bovina encarecer ainda mais para o consumidor.
Essa valorização da carne bovina fará com que ela perca espaço para as proteínas de frango, suínos e peixe.
“É um círculo perigoso e vicioso”, segundo José Vicente Ferraz, diretor da Informa Economics FNP, tradicional consultoria no setor.
O cenário atual da pecuária está muito mais desafiador, segundo Ferraz. O pleno emprego do Brasil abre novas possibilidades para o trabalhador do campo, principalmente para os jovens, que preferem as cidades.
As novas tecnologias utilizadas no campo exigem profissionais mais bem preparados, e os salários pagos são acima até dos da cidade.
Outro fator de custos para a pecuária é a valorização das terras, hoje disputadas com a produção de grãos.
O crescimento da pecuária por meio de ganhos de produtividade ou ampliação de área –esta cada vez mais difícil de ocorrer– só virá se o pecuarista enxergar um rendimento aceitável em relação ao dos demais investimentos, segundo Ferraz.
A alternativa de crescimento do setor é um ganho de produtividade. Caso contrário, a pecuária de corte corre o risco de perder espaço no agronegócio brasileiro. “É fazer mais com menos”, diz o diretor da Informa Economics.























