Avicultores do Nordeste negociam importação de milho da Argentina. Problema é que produto é transgênico e CTNBio não decidiu se compra pode ser feita.
Milho para o NE

Os produtores de aves do Nordeste enfrentam um grave dilema para abastecer 100 milhões de frangos com milho geneticamente modificado da Argentina. Diante da necessidade de importar a matéria-prima a preços razoáveis, os avicultores da região correm o risco de ter suas cargas rejeitadas nos portos pelas autoridades brasileiras.
Um problema não resolvido pelos ministros do Conselho Nacional de Biossegurança (CTNBio), que ainda não decidiu se essa importação atende aos “interesses nacionais”, uma vez que a situação ameaça a produção de aves da região cuja demanda mais cresce no país. Desde 2008, os 11 ministros avaliam pedidos de importação de milho transgênicos argentino, mas a situação está longe de ser decidida.
Os avicultores de Pernambuco e Ceará, dois dos maiores produtores nordestinos, já começaram as negociações para adquirir o grão de fornecedores da Argentina. Ocorre que o país vizinho autorizou a liberação comercial de três variedades que ainda não foram avalizadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Como há garantia de segregação das sementes, o produto não autorizado pode entrar no Brasil via Nordeste.
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“O governo não honrou o compromisso de colocar milho do Centro-Oeste aqui a custo compatível. Então, vamos importar”, avisa o presidente da Associação Cearense da Avicultura (Aceav), João Jorge Reis.
A Argentina já liberou a produção comercial dos produtos transgênicos “176”, da antiga Ciba-Geigy, “T25”, da AgrEvo, e “MON89034x88017”, da americana Monsanto. Os três não têm autorização comercial no Brasil.
A União Brasileira da Avicultura (Ubabef) admite os problemas com a região Nordeste. E agrega que a mesma situação é vivida por Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “Temos defendido a autorização do milho argentino porque não somos autossuficientes em vários Estados. Reiteramos esse pedido recentemente ao ministro Wagner Rossi. É uma questão de logística e de preço”, sustenta o diretor de produção da Ubabef, Ariel Mendes. Ele informa que ainda não houve decisão oficial sobre o caso porque há “pressão forte” dos produtores de milho contra a importação.
Os produtores de aves do Nordeste calculam que a saca de milho brasileira chega a R$ 42 na região. O milho argentino, com frete de navio desde Buenos Aires, chegaria a R$ 34. “No auge da produção aqui, temos apenas um quinto do milho necessário”, alega João Reis, da Aceav.
“O governo tem estoque regulador de 5,5 milhões de toneladas de milho, mas os leilões não cobrem a paridade da importação”, afirma o dirigente.
O Ministério da Agricultura lembra que tem realizado leilões para abastecer a demanda do Nordeste, mas que questões ligadas à logística e aos preços de mercado dificultam a garantia de fornecimento do milho estocado nos armazéns oficiais.























