Apesar do avanço nas metas do acordo diplomático entre Pequim e Washington, o produto brasileiro segue blindado pelo menor custo de produção e preços mais competitivos
China reativa compras de soja nos EUA, mas vantagem econômica mantém hegemonia do Brasil

A recente retomada das importações de soja norte-americana pela China sinaliza o cumprimento do compromisso de compra firmado entre Washington e Pequim — que prevê a aquisição de 25 milhões de toneladas anuais até 2028. No entanto, a preferência do mercado chinês continua amplamente favorável ao Brasil.
O domínio brasileiro nos números
Os dados de comércio exterior refletem a liderança folgada das exportações nacionais:
Recorde em junho: A China importou 13,55 milhões de toneladas no mês. Desse total, 12,07 milhões de toneladas (quase 90%) tiveram origem no Brasil.
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Projeção para julho/agosto: O fluxo nos portos brasileiros indica o envio de mais 9,23 milhões de toneladas para o mercado chinês em julho, com embarques aquecidos previstos também para agosto.
Presença norte-americana: As compras dos EUA somaram 1,26 milhão de toneladas em junho, com cerca de 1,25 milhão já contratadas para entrega a partir de setembro, período que marca a entrada da nova safra dos EUA no mercado.
Custo e preço: As vantagens estruturais do Brasil
Apesar da reaproximação entre o presidente Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, o analista Carlos Cogo (Cogo Inteligência) pondera que há um abismo entre anúncios contratuais e embarques efetivos. Na prática, a matemática do mercado favorece o produtor brasileiro:
| Indicador Comparativo | Brasil | Estados Unidos | Vantagem do Brasil |
| Preço de Venda | Desconto de US$ 0,50 a US$ 0,60/bushel | Preço de tabela mais alto | Mais barato no mercado |
| Custo de Produção | ~US$ 1,20/bushel menor | Custos operacionais elevados | Maior margem e competitividade |
O fator de risco: Clima e processamento nos EUA
Para a safra 2026/27, o USDA estima uma colheita americana de 121,8 milhões de toneladas, sustentada pela expansão da área plantada para 34,56 milhões de hectares. Contudo, o mercado global monitora duas variáveis decisivas:
Risco climático em julho/agosto: O período de enchimento dos grãos nas lavouras norte-americanas é crucial. Eventuais secas podem cortar drasticamente as estimativas de produtividade.
Demanda interna por biocombustíveis: O esmagamento de soja nos EUA segue acelerado (74,84 milhões de toneladas), impulsionado pelo setor de energia limpa, o que enxuga os estoques exportáveis americanos e sustenta as cotações internacionais.
Fonte: CNN























