Durante reunião da Bolsa de Suínos do Estado de São Paulo, diretor Superintendente da Agroceres PIC analisou o atual momento do setor e as perspectivas para produção, mercado e crescimento
Produtividade e sanidade sustentam avanço da suinocultura brasileira, avalia Alexandre Rosa

A suinocultura brasileira vive um período de ajustes conjuntural após uma trajetória de expansão da produção. A avaliação é de Alexandre Rosa, diretor Superintendente da Agroceres PIC e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS), que apresentou um panorama do setor durante reunião da Bolsa de Suínos do Estado de São Paulo, promovida pela Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS).
Segundo Rosa, a produção brasileira de carne suína vem crescendo a taxas superiores a 4,5% ao ano na última década, movimento que consolidou o país entre os maiores produtores mundiais. No primeiro trimestre de 2026, entretanto, o avanço da produção ocorreu em ritmo elevado e contribuiu para um desequilíbrio temporário entre oferta e capacidade de absorção do mercado, com reflexos sobre os preços pagos ao produtor.
Produtividade sustenta crescimento
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Na avaliação do executivo, o avanço da produção brasileira não pode ser explicado apenas pela expansão do número de matrizes. Dados acompanhados pela Agroceres PIC indicam que o crescimento do plantel ocorreu de forma mais moderada, enquanto os ganhos de produtividade tiveram papel decisivo na ampliação da oferta.
Rosa destacou a evolução observada nas granjas brasileiras, com aumento do número de leitões produzidos por matriz e avanço do peso médio de abate. Segundo ele, sistemas originalmente dimensionados para níveis inferiores de produtividade passaram a produzir volumes significativamente maiores, refletindo a evolução do manejo, da genética, da nutrição e das condições de produção.
Esse movimento, embora positivo sob a perspectiva da eficiência, também exige capacidade de adaptação das estruturas de produção, especialmente nas fases de crescimento e terminação.
Sanidade como diferencial competitivo
Outro fator destacado por Alexandre Rosa é a condição sanitária do rebanho brasileiro. Na sua avaliação, a ausência no país de algumas enfermidades de elevado impacto econômico presentes em importantes regiões produtoras constitui uma vantagem competitiva relevante para a suinocultura nacional.
Além de favorecer a estabilidade produtiva, essa condição reforça a importância dos programas de biossegurança, vigilância sanitária e controle da entrada de material genético.
Rosa citou os mecanismos adotados pelo Brasil para conciliar segurança sanitária com acesso ao progresso genético internacional. Para o executivo, preservar esse patrimônio sanitário é fundamental para sustentar a competitividade e a capacidade de crescimento do setor no longo prazo.
Mercado mais seletivo
O ambiente de mercado também vem impondo maior disciplina aos projetos de expansão. Segundo Rosa, as condições de crédito tornaram-se mais seletivas, especialmente para investimentos sem contratos ou garantias comerciais que contribuam para reduzir riscos.
Na sua avaliação, o desenvolvimento da suinocultura passa cada vez mais por decisões fundamentadas em eficiência produtiva, capacidade de investimento, estrutura de comercialização e conhecimento das condições de mercado.
Ao mesmo tempo, o Brasil mantém oportunidades de crescimento tanto no mercado interno quanto nas exportações. Rosa destacou o potencial de ampliação do consumo doméstico e a possibilidade de avanço em mercados internacionais, acompanhando a evolução da competitividade da produção brasileira.
Perspectivas para 2027
As projeções para a expansão do plantel também vêm sendo revistas diante do comportamento recente do mercado. Cálculos internos da Agroceres PIC apontavam crescimento de aproximadamente 100 mil a 120 mil fêmeas em um horizonte de dois anos, mas a pressão observada sobre os preços tende a moderar novos investimentos.
Para Alexandre Rosa, esse ajuste pode contribuir para um melhor equilíbrio entre oferta e demanda ao longo de 2027.
O executivo pondera que ainda é cedo para projetar uma recuperação completa dos preços aos níveis registrados em períodos anteriores, mas avalia que a desaceleração dos investimentos e o ajuste gradual da produção podem favorecer uma recomposição das margens.
Na avaliação de Rosa, o cenário reforça uma característica que tende a ganhar cada vez mais importância na suinocultura brasileira, crescer com eficiência, disciplina de investimento e capacidade de adaptação às condições de mercado.
Da Redação























