Zani comenta preços do milho, etanol e volatilidade de mercado neste artigo. Acesse e leia.
Desprezou o milho e acabou comendo o farelo! – por Ariovaldo Zani

A FAO tem demonstrado otimismo e projetado incremento na relação entre estoque e demanda global dos cereais em geral nessa temporada 2012/2013, ou seja, 22.1% quando comparado à relação de 21.7% apurada no período 2011/2012, embora o mesmo raciocínio aplicado ao milho reserve cautela, porque a projeção da relação estoque x uso decresce de 15% para 14.2%.
Diante de perspectivas mais pessimistas da produção agrícola para a safra 2012/2013 é possível que os preços globais dos alimentos atinjam níveis mais altos e se aproximem perigosamente daqueles observados em 2008 e 2011.
A desvalorização do dólar americano, o aumento dos preços do petróleo, aliado às condições climáticas adversas – frio extremo na Europa e secas na América do Sul e sudoeste dos Estados Unidos – e a forte demanda da Ásia – especula-se que a China tenha importado 1,5 milhão de toneladas de milho americano somente no primeiro trimestre – contribuíram preponderantemente na alta de 8% verificada nos últimos quatro meses nos preços globais dos alimentos que se situam apenas 6% abaixo do pico histórico verificado em Fevereiro do ano passado, de acordo com relatório do Banco Mundial publicado recentemente.
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Nos Estados Unidos, por exemplo, a necessária substituição do combustível fóssil por fontes energéticas mais limpas encontrou no milho o insumo de produção de etanol, cujo preço do grão triplicou desde 2002 e o biocombustível consumiu 40% da safra colhida no ano passado.
É flagrante observar, portanto, que a intensidade daquela iniciativa impactou positivamente a mobilidade e a qualidade do ar, todavia o efeito indireto pressionou a cadeia de produção, prejudicou sobremaneira os produtores de aves e suínos e fez aumentar o preço dos alimentos com comprometimento do acesso deles pelos consumidores.
Graças a Deus o Brasil não carece do biocombustível de milho que supriu a demanda de 40 milhões de toneladas da indústria de alimentação animal e que projeta consumo de mais de 60 milhões até 2020.
Esse nosso país tropical abençoado por Deus conta com a cana-de-açúcar que coleciona diversas vantagens sobre o milho na produção de etanol, ou seja o dobro da produção em litros por hectare, balanço de energia positivo, redução de 61% na emissão de CO2 quando comparado à gasolina, além de não exigir qualquer subvenção governamental.
Tomando o exemplo americano percebemos que a volatilidade dos preços é conseqüência da busca inexorável pelas extravagâncias do conforto, mas também pode resultar da enganosa sedução da vida ecologicamente correta.
A hipótese utópica de uma economia abusivamente “verde” não se sustenta em balanço financeiro “vermelho”, nem sobretudo enche a barriga do consumidor “empalidecido” pela fome.
Gandhi já alertava: “Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova”.
Ariovaldo Zani é vice-presidente executivo do Sindirações





















