A Ásia-Pacífico continuará a ter o maior crescimento econômico no mundo em 2011, de acordo com projeção da Organização das Nações Unidas.
Ásia crescerá mais
A Ásia-Pacífico continuará a ter o maior crescimento econômico no mundo em 2011, com persistente demanda por commodities e impacto na expansão de economias de outras regiões, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
Em relatório publicado ontem, a entidade projeta crescimento de 7,3% na região este ano. É uma queda comparado aos 8,8% no ano passado, mas ainda assim é, de longe, o motor mais dinâmico da economia internacional.
A China lidera sem surpresa com expansão de 9,5%, apoiada em medidas do governo para estimular o consumo doméstico e diminuir a dependência de exportações. Em seguida vêm a Índia com 8,7% e a Indonésia com 6,5%, ambas se beneficiando do robusto consumo e investimentos.
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A ONU ilustra a influência da demanda da Ásia-Pacífico sobre o crescimento de outras regiões, especialmente na América Latina e África, com “enorme aumento” do comércio e investimentos em setores relacionados a commodities.
As exportações de produtos de base para a Ásia foram um dos principais fatores do alto crescimento das exportações da América Latina em 2010, que somente para a China aumentaram 49%. A África exportou 27% de suas mercadorias para a Ásia, comparado a 14% em 2000.
Em 2011, produtores de commodities vão continuar ganhando com a expansão asiática, mas produtores de manufaturas de outras regiões em desenvolvimento vão continuar sofrendo a falta de vantagem comparativa com vários países da Ásia, diz o relatório.
No entanto, a maioria das economias asiáticas enfrenta a pressão inflacionária com a persistência do alto crescimento. Os preços de alimentos subiram até 35% em vários países. Junto com a alta do petróleo, a estimativa é de que 42 milhões de pessoas na região continuem na linha de pobreza.
Outro risco para a Ásia-Pacífico é o “dilúvio” de capital especulativo que continua entrando na região, causando bolhas de preços, inflação e valorização das moedas locais. Para se ter uma ideia do tamanho da pressão para as economias regionais, basta ver que o total dos fundos globais de fundos sob gestão era estimado em US$ 61,6 trilhões em 2008, representando 100% do PIB mundial.
Um dos impactos do fluxo de capitais vem pelas operações de ‘carry trade’, pelas quais investidores ganham com a considerável diferença entre os juros altos nessas economias e as taxas baixas nos desenvolvidos. A ONU publica estimativas de que essas operações chegariam a US$ 750 bilhões, aproximando-se do pico de 2004 a 2007.
O enorme fluxo de capitais externos faz a Ásia registrar a maior alta mundial nos preços de imóveis. A ONU sugere que os países adotem controle de capital, a exemplo do que tem feito o Brasil.
Em um seminário organizado pelo banco britânico Barclays, com 50 representantes de grandes produtores, consumidores e tradings em Suzhou, mostrou que a maioria continua esperando crescimento acima de 8% na China.
Enquanto o mundo vê a China como ator central no movimento de alta dos preços de commodities, os próprios chineses acham que os EUA têm mais influência. A fragilidade do dólar foi vista como o maior risco para commodities em 2011.
Apesar de um aperto monetário temporário, estimam que o ambiente macroeconômico não é restritivo. A maioria citou volatilidade de preços e aumento de custos como seus principais desafios, e apenas uma minoria declarou-se preocupada com demanda fraca e dificuldades financeiras.























