Estudo técnico projeta prejuízo superior a US$ 38 milhões e aponta riscos de sanções internacionais para o setor aquícola
Mudança na classificação da tilápia pode derrubar exportações em 90%

O mercado de piscicultura do país enfrenta um cenário de incerteza diante da possibilidade de a tilápia ser incluída na listagem oficial de espécies exóticas invasoras. A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) tem em sua pauta de votação a proposta que analisa o enquadramento do peixe sob essa nova definição jurídica e ambiental. Uma avaliação técnica desenvolvida pela Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR) adverte que a validação dessa medida trará sérios prejuízos aos negócios internacionais do Brasil, além de desestruturar a cadeia operacional de cultivo.
A entidade argumenta que a modificação do status da espécie tende a ser assimilada pelo comércio global como uma declaração formal de vulnerabilidade ecológica emitida pelo próprio Estado brasileiro. Tal interpretação pode abrir caminho para o estabelecimento de barreiras comerciais, ecológicas e de ordem sanitária por parte de nações parceiras de relevância para o agronegócio.
Dependência do mercado norte-americano e o histórico da carpa
A maior inquietação dos produtores concentra-se no fluxo de escoamento para os Estados Unidos, destino consolidado como o maior comprador da produção de tilápia do Brasil. Atualmente, o mercado da América do Norte absorve perto de 85% do total comercializado pelo Brasil no exterior, gerando uma receita anual estimada em US$ 35 milhões.
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Para ilustrar a gravidade da situação, a direção da PEIXE BR resgata um paralelo histórico ocorrido no início da década passada. No ano de 2010, o governo dos Estados Unidos rotulou a carpa asiática como invasora, fato que desencadeou um encolhimento imediato de 97% nas vendas da China daquela espécie para o mercado americano no intervalo de doze meses, sem que o comércio registrasse qualquer reação posterior.
Com suporte nesse histórico de mercado, os dados consolidados pela associação sugerem que uma eventual confirmação do novo enquadramento para a tilápia no território nacional acarretaria um tombo de até 90% nas exportações desse peixe em apenas um semestre. O desfalque financeiro projetado supera os US$ 38 milhões, considerando estritamente a cadeia produtiva da espécie.
Prejuízo sistêmico e impacto nas espécies nativas
Os reflexos negativos do parecer não ficariam restritos à criação de tilápia. O relatório técnico prevê uma reação em cadeia que pode acarretar perdas globais na ordem de US$ 64 milhões por ano para todo o complexo pesqueiro voltado ao mercado externo.
Peixes nativos da fauna brasileira, a exemplo do tambaqui e do pintado, também correm o risco de sofrer retaliações ou restrições comerciais no exterior. O motivo seria o aumento no rigor de inspeções internacionais, imposição de normas sanitárias mais rígidas e o abalo reputacional da imagem da aquicultura do Brasil lá fora.
O diagnóstico aponta, por fim, o perigo de suspensão ou cancelamento de importantes chancelas e certificações ambientais globais, como ASC, BAP e Global G.A.P., cujos regulamentos impõem padrões severos quanto à governança ambiental e à introdução de espécies em ecossistemas.
Fonte: Peixe BR























