Oscilações nos custos de produção, desempenho desigual nas exportações, tensões geopolíticas e avanços institucionais marcam o momento do setor.
Custos, exportações e cenário internacional redesenham o equilíbrio das cadeias de proteína animal

O agronegócio brasileiro, especialmente nas cadeias de proteína animal, vive um período de ajustes marcado por variações de custos, mudanças no comércio exterior e influências do cenário internacional. Em fevereiro, os custos de produção de suínos recuaram, enquanto a avicultura de corte manteve relativa estabilidade, refletindo um ambiente de alívio parcial para produtores, ainda que pressionado por outros insumos.
Apesar desse movimento, o custo da alimentação segue como ponto de atenção. A alta do milho reduziu o poder de compra do suinocultor pelo sexto mês consecutivo, indicando pressão contínua sobre as margens e reforçando a dependência de condições favoráveis no mercado de grãos.
No campo institucional, a Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) completa 59 anos, destacando sua atuação no fortalecimento da suinocultura paulista e na ampliação de mercados para a carne suína brasileira, em um momento de crescente competitividade global.
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O cenário internacional também exerce influência direta sobre o setor. O conflito no Oriente Médio tem pressionado custos logísticos e ameaçado rotas do comércio global de carne de frango, gerando incertezas para exportadores brasileiros. Esse impacto já começa a refletir no desempenho externo: as exportações de carne bovina e suína registraram crescimento de até 6% em março, enquanto as vendas de carne de frango apresentaram recuo, indicando uma dinâmica distinta entre as proteínas.
No âmbito produtivo, os resultados seguem positivos em algumas regiões. O Paraná atingiu recordes na produção de frango, suínos e ovos em 2025, reforçando a força do estado como um dos principais polos agropecuários do país.
Questões trabalhistas também entram na pauta do setor. Entidades produtivas de Santa Catarina entregaram um manifesto defendendo a modernização responsável da jornada de trabalho, tema que impacta diretamente a competitividade e a organização das cadeias produtivas.
Já no campo político e comercial, há avanço relevante. O Congresso Nacional aprovou o acordo de parceria entre Mercosul e União Europeia, movimento que pode ampliar oportunidades de acesso a mercados e fortalecer a presença internacional do agronegócio brasileiro, embora ainda dependa de etapas adicionais para plena implementação.
O conjunto desses fatores evidencia um setor em constante adaptação, equilibrando ganhos produtivos e institucionais com pressões de custos e incertezas no comércio global, especialmente nas cadeias de aves e suínos.




















