A estatal China National Textiles Import and Export Corporation (Chinatex) planeja expandir substancialmente as compras de soja em grão do Brasil.
Aumenta o apetite da China pela soja cultivada no Brasil
Redação (09/02/07) – A empresa começou a operar no país em 2003, com o fretamento de um navio de 60 mil toneladas. No ano seguinte fretou dez navios, e em 2005, outros 18. No ano passado, com 30 navios, importou 1,6 milhão de toneladas, e em 2007 projeta um volume total de importações da ordem de 2 milhões de toneladas.
“A China tem uma demanda de 8 milhões de toneladas de óleo para alimentação. Em dois anos, será de 10 milhões. Não há oferta mundial disponível para suprir essa demanda”, diz Liones Severo, diretor-geral da Chinatex no Brasil. Conforme dados do governo chinês, no ciclo 2005/06 o país importou 1,57 milhão de toneladas de óleo de soja e 28,2 milhões de toneladas do grão.
Na atual safra, as importações chinesas de óleo devem aumentar 5%, para 1,65 milhão de toneladas, e as de grão tendem a crescer 13%, para 32 milhões de toneladas. “Em dois anos, a China terá de aumentar em 10 milhões de toneladas as importações de soja em grão, porque os estoques estão muito baixos. O Brasil terá um papel fundamental como supridor”, afirma.
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Atualmente, metade das compras da Chinatex de soja em grão para abastecer suas esmagadoras na China vem do Brasil. O restante é comprado da Argentina e dos Estados Unidos. Severo observa que há por parte dos chineses maior interesse pela soja brasileira, porque ela contém teores de proteína e óleo superiores aos da soja produzida na Argentina, por exemplo.
De acordo com dados da Secex, no ano passado 43% das 24,957 milhões de toneladas de soja em grão exportadas pelo Brasil tiveram como destino a China. A Chinatex é a terceira maior exportadora de soja brasileira ao país asiático, depois de duas multinacionais americanas.
Severo acredita que a China também deverá elevar “drasticamente” as importações de milho e trigo nos próximos anos. Na safra 2005/06, a China consumiu 101 milhões de toneladas de trigo, das quais 700 mil foram importadas. Os estoques ficaram em 36,09 milhões de toneladas – a metade do que havia cinco anos antes. O caso do milho é mais grave. O país consumiu 141 milhões de toneladas, importou 100 mil e exportou 4 milhões. Os estoques estão hoje em 31,295 milhões de toneladas, 63% abaixo da temporada 2000/01.
“Trigo e milho são muito vulneráveis ao clima e a China tem problemas sérios com água”, observa Severo. O volume per capita de água disponível na China é de 2,2 mil litros, enquanto no Brasil chega a 39 mil. O índice chinês de chuvas é de 600 mm por ano. No Brasil, a média chega a 1.500 mm. A maioria dos produtores chineses recolhem água das chuvas para aproveitar nas lavouras.
Na atual safra, há previsões de perda na safra chinesa desses grãos porque o inverno foi menos rigoroso. O gigante asiático possui 123 milhões de hectares de área agrícola – o dobro da brasileira – e uma produção quase cinco vezes maior, de 500 milhões de toneladas de grãos por ano. “A partir de 2008 a China deixará de exportar milho e passará a importar, porque não tem condições de elevar a produção em nível suficiente para atender à demanda”, estima. Na avaliação do executivo, o Brasil também poderá ser um fornecedor de milho no médio prazo.
A Chinatex foi fundada em 1951 para comercializar algodão, mas hoje tem a soja como principal commodity agrícola comercializada globalmente, com um volume anual de 4 milhões de toneladas. O grupo é o maior produtor global de produtos têxteis, com receita de US$ 1,8 bilhão na área. Globalmente, importa por ano 1 milhão de toneladas de algodão, mas não adquire produto brasileiro. “O Brasil disponibiliza pouco volume de algodão para exportação”, diz Severo. A Chinatex tem, em todos os segmentos em que atual, 40 fábricas e unidades em 30 países.
No Brasil, a empresa mantém escritório em Porto Alegre. As compras de soja são negociadas com produtores, cooperativas e tradings de diferentes regiões e os embarques são pelos portos de Rio Grande (RS), Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Santos (SP), e Ponta da Madeira (MA).




















