Revisão de norma internacional e novo capítulo sobre biossegurança apontam ações ao longo da cadeia como caminho para conter a Influenza aviária
WOAH reforça biossegurança e muda abordagem para reduzir riscos em mercados de aves vivas

A 93ª Sessão Geral da Organização Mundial de Saúde Animal, encerrada no último dia 22 em Paris, marcou uma inflexão na forma de enfrentar doenças infecciosas no comércio de animais ao aprovar a revisão de normas internacionais e instituir uma nova resolução voltada à biossegurança. A decisão atende a demandas dos países-membros por diretrizes mais claras sobre prevenção de doenças, com potencial de impacto direto na saúde e no bem-estar animal em escala global.
Entre os pontos de atenção está o papel dos mercados de aves vivas, considerados ambientes sensíveis para a disseminação de enfermidades como a Influenza aviária. Tradicionais em regiões como o Sudeste Asiático e a África Ocidental, esses espaços são essenciais para a segurança alimentar e para a renda de milhares de trabalhadores, mas também reúnem condições que favorecem a circulação de patógenos, como a alta densidade de animais, a mistura de espécies e práticas sanitárias irregulares.
De acordo com o artigo técnico da WOAH, a associação frequente entre mercados de animais vivos e doenças zoonóticas levou, ao longo dos anos, à adoção de medidas emergenciais, como a proibição de estocagem de aves durante a noite, a implementação de “dias de descanso” e até o fechamento temporário desses espaços, como ocorreu após a pandemia de COVID-19. Apesar disso, tais ações mostraram efeitos limitados e, em alguns casos, geraram consequências indesejadas, como a criação de mercados informais e desregulados.
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A análise da WOAH indica que o enfrentamento do problema exige uma mudança de foco. Em vez de concentrar esforços apenas nos mercados, as estratégias devem começar antes, ainda na origem da produção. Isso inclui intervenções junto a criadores e transportadores, especialmente em regiões onde o vírus é endêmico, reduzindo a entrada de aves infectadas na cadeia comercial.
O documento também destaca que mercados com maior diversidade de espécies, presença de animais silvestres e falhas em higiene apresentam riscos elevados não apenas à saúde animal, mas também à saúde humana e à biodiversidade. Nesse contexto, políticas públicas baseadas em avaliação de risco e evidências científicas são apontadas como essenciais para equilibrar controle sanitário e manutenção das atividades econômicas.
A revisão do Artigo 5.7.1 do Código da WOAH e a criação de um novo capítulo dedicado à biossegurança consolidam essa abordagem. As diretrizes reforçam a necessidade de aplicação contínua de medidas sanitárias desde a propriedade rural até os pontos de venda, além de recomendações sobre inspeção em fronteiras e quarentena, com o objetivo de reduzir a introdução e a disseminação de doenças sem interromper o comércio.
O artigo da WOAH também enfatiza a importância da abordagem de “Uma Só Saúde”, que integra ações de saúde pública, veterinária e ambiental. A proposta inclui melhorias em infraestrutura, capacitação de trabalhadores, monitoramento sanitário e incentivos à conformidade, criando um ambiente mais seguro sem recorrer a proibições generalizadas.
Ao final, a entidade defende que a combinação entre normas internacionais, biossegurança reforçada e cooperação entre setores é o caminho para garantir mercados de aves mais resilientes, capazes de sustentar economias locais e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de novas crises sanitárias.
Fonte: WOAH























